Ciência avança na medida em que se despe de preconceitos

Renato Janine comenta o caso envolvendo o pesquisador Elisaldo Carlini, chamado a depor por suposta apologia às drogas

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Em sua coluna desta semana, o professor Renato Janine Ribeiro comenta o caso envolvendo o pesquisador Elisaldo Carlini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que teve de depor sobre uma suposta apologia às drogas. Carlini, de 87 anos, é autor de pesquisas pioneiras que caracterizaram a ação anticonvulsivante de um componente extraído da maconha. Suas descobertas levaram à formulação de remédios eficazes para tratar doenças como epilepsia e esclerose múltipla, atualmente utilizados em vários países. Leia mais sobre o caso aqui.

Para Janine, esse e outros casos ocorridos em universidades públicas parecem indicar um certo viés que seria comum a vários atores como Polícia, Promotoria e Judiciário. “De qualquer forma, é obvio que não há uma combinação nisso, mas o resultado é muito preocupante, pois indica uma certa mentalidade daqueles que estão no poder e que estão desconhecendo muito os critérios da universidade. Por exemplo, considerando que uma conferência sobre drogas seja uma apologia”, destaca. “A ciência avança na medida justamente em que ela tem de se despir de preconceitos, muitas vezes, até preconceitos muito enraizados.”

No entanto, o professor frisa que ninguém deve escapar da punição caso seja criminoso. Mas é preciso entender que a universidade é um espaço de conhecimento e de ciência e que o Brasil necessita muito desse espaço. “Atemorizar esse espaço, colocá-lo em risco, é muito perigoso”, finaliza.

Ouça acima o áudio na íntegra.

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