Caso de corrupção no Tribunal de Contas do RJ é excrescência, afirma professor

Guilhon de Albuquerque classifica como uma excrescência o caso de corrupção em pleno Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Ouça a íntegra da entrevista com o professor José Augusto Guilhon Albuquerque:

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (29) mais uma operação, desta vez no Rio de Janeiro, com o cumprimento de cinco mandados de prisão contra integrantes do Tribunal de Contas do Estado do Rio e a condução coercitiva do presidente da Assembleia Legislativa daquele Estado, deputado Jorge Picciani.

Segundo a Agência Brasil, a investigação é sobre um esquema de pagamento de vantagens indevidas e desvios de valores de contratos com órgãos públicos. Em entrevista à Rádio USP, o professor José Augusto Guilhon de Albuquerque (Departamento de Economia da Universidade de São Paulo),  embora admitindo que a corrupção é endêmica na espécie humana, taxou esse caso como uma excrescência, “algo que está fora dos padrões de corrupção normalmente correntes no Brasil”, o que ele atribui à falta de aplicação da lei.

Presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, chega à sede da Polícia Federal para prestar depoimento após mandado de condução coercitiva - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil via Fotos Públicas
Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, chega à sede da Polícia Federal para prestar depoimento após mandado de condução coercitiva – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil via Fotos Públicas

Segundo o professor, há uma tolerância com o crime de colarinho branco e com a ideia de que as pessoas de “bem” e de “bens” podem escapar à ação da Justiça, mas nesse caso a excrescência se faz em dois sentidos: primeiro, o de ser um padrão que se repete no Estado do Rio há décadas, pelo menos desde a fusão do Estado da Guanabara com o Estado do Rio, o que acabou, ainda na opinião do professor, por criar um “caldo de cultura muito corrupto”. Nesse sentido, é um padrão que em alguns Estados brasileiros existe e em outros não.

O segundo aspecto para o qual o professor Guilhon de Albuquerque chama a atenção diz respeito ao próprio Tribunal de Contas, o qual, como se sabe, é um órgão que deveria cuidar das contas e da correção das despesas e também de coibir a corrupção. “É como se, de repente, o papa começasse a cometer pecados a torto e a direito. Então, isso também é uma excrescência e não uma coisa generalizada. É comum encontrar nos tribunais de conta algum tipo de desvio, mas nesse nível é uma coisa espantosa”, admite ele.

Nem tudo, porém, parece ter chegado ao fundo do poço. Guilhon de Albuquerque acredita que existe hoje um clima de insegurança na prática da corrupção. “As camadas da elite brasileira que se poupavam da dureza da lei estão temerosas e se sentindo acossadas.”

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