Mortes por câncer já superam óbitos do coração

Quase 1 milhão de pessoas morreram no Brasil entre 2010 e 2014, vitimadas pelo câncer, que também cresce em todo o mundo

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Acompanhe a entrevista da repórter Sandra Capomaccio com a médica Maria Del Pilar Estevez, coordenadora de Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp):

O câncer já é a principal causa de morte entre os brasileiros, conforme dados divulgados pelo Sistema de Informática do Ministério da Saúde (Datasus), a partir de uma pesquisa que aponta uma média de 3.245 óbitos no País, o equivalente a 5,9 milhões em um período que vai de 2010 a 2014. Dessas mortes, o câncer aparece em primeiro lugar, com um total de 935.947 vítimas – ou seja, a doença tem matado mais do que as moléstias cardiovasculares, que aparecem em segundo lugar na pesquisa (522.542 mortes), ou os acidentes de trânsito.

Em entrevista à Rádio USP, a médica oncologista Maria Del Pilar Estevez, coordenadora de Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), diz não se  surpreender com esses números, que “já eram esperados” devido a alguns fatores, como o envelhecimento da população, o aumento da expectativa de vida e uma maior exposição aos carcinogênicos. Esses fatores, segundo ela, estão causando um aumento no número de casos de câncer – “não só no Brasil como em todo o mundo” –  e uma maior mortalidade provocada pela doença. “Já era esperado que, até o ano 2020, a moléstia se tornasse a principal causa de morte no mundo, um fenômeno que vem sendo acompanhado pela Organização Mundial da Saúde”.

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Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Para a especialista, é importante que se esteja preparado para essa realidade, aperfeiçoando as medidas de diagnóstico e de tratamento e, principalmente, cuidando da prevenção. Não se pode esquecer que, em relação ao tratamento, tudo vai depender do tipo de câncer, cada qual exigindo uma abordagem distinta. O conhecimento da especificidade do câncer permitirá que o tratamento resulte mais eficaz, daí a importância do diagnóstico precoce. “Quanto mais precoce, melhor o prognóstico e as chances de cura, o que, por outro lado, irá demandar menos recursos”, razão pela qual os estudos atuais sobre a doença enfatizam a importância do diagnóstico precoce.

A dra. Maria Del Pilar diz que, no caso de suspeita de câncer, a rapidez no diagnóstico é primordial, a fim de que o encaminhamento do paciente para tratamento não seja prejudicado pelo fator tempo. Infelizmente, as coisas nem sempre funcionam da forma que deveriam, e é alto por aqui o porcentual de pacientes nos estágios mais avançados da doença, quando a chance de cura se torna mais difícil. Isso já não ocorre em nações mais desenvolvidas.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

De acordo com a especialista, dois motivos contribuem para o estabelecimento de um diagnóstico tardio: o tipo de câncer, já que existem algumas doenças que, em sua fase inicial, não são sintomáticas ou que evoluem rapidamente, e a dificuldade de acesso do paciente ao sistema de saúde, impedindo que se chegue a um diagnóstico precoce e ao consequente encaminhamento para um serviço de referência. “O número de mortes é muito alto não porque pioramos”, revela a médica, “mas porque há muita coisa a fazer para melhorar o sistema como um todo, desde a fase inicial até a fase final, que é a do tratamento propriamente dito”.

Ela preconiza a necessidade de programas de prevenção sólidos, com boa adesão da população a campanhas de vacinação como a do HPV e da hepatite, e rastreamento (mamografia, papanicolau) para diagnóstico precoce de lesões pré-malignas. Da mesma forma, “é importante melhorar hábitos, procurar manter peso adequado, comer verduras, parar de fumar e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, além de poder contar com programas eficientes de tratamento”, diz a dra. Maria Del Pilar. “Nós só vamos conseguir reduzir a mortalidade por câncer se agirmos em todas as frentes, compartilhando as responsabilidades entre a população e os agentes de saúde.”

 

 

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