Suicídio assistido: uma questão complexa a ser melhor discutida

O professor Renato Janine Ribeiro fala hoje a respeito do suicídio assistido do cientista David Goodall

O ecologista australiano David Goodall, de 104 anos, morreu na quinta-feira (10), num processo de suicídio assistido, algo que tem sido cada vez mais discutido nos tempos atuais. Em casos como esse, algumas questões se colocam, diz o professor Renato Janine Ribeiro, como a do sentido da vida. “As pessoas que recorrem ao suicídio assistido sempre passam por protocolos que procuram ver se efetivamente não há recuperação possível”, argumenta o colunista. Nem sempre essa medida extrema é autorizada – de fato, ela é proibida pela legislação da maioria dos países, embora seja permitida na Suíça, onde Goodall passou pelo procedimento.

Janine nos lembra que a expansão da expectativa de vida coloca-nos, cada vez mais, diante de situações como essas, que antes eram impensáveis, simplesmente porque as pessoas faleciam relativamente cedo. Há um século, a expectativa de vida era metade da de hoje. Não se pode negar, porém, que a vida prolongada, ao mesmo tempo que abre perspectivas fabulosas, coloca-nos diante da difícil situação de correr o risco de uma saúde física boa, mas com perda da lucidez, ou de perda da lucidez tendo uma boa saúde física.

É uma situação que não deixa de ser aflitiva. “Como podemos saber se uma pessoa não lúcida quer continuar vivendo ou não. Já no caso de uma pessoa lúcida que conclui que não vale mais a pena viver – e isso sendo referendado por uma equipe médica credenciada -, penso que a vontade dessa pessoa deve ser respeitada”. No fundo, tudo se resume a um simples fato: uma vida tem de valer a pena ser vivida. A questão do suicídio assistido está aí, é uma realidade e não pode deixar de ser discutida.

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