Especialista do Incor adverte para os malefícios do fumo no dia de luta contra o tabaco

O hábito de fumar é o maior responsável pelo câncer do pulmão, doença cuja ocorrência o Inca estima em mais de 28 mil novos casos somente este ano

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Ouça a entrevista da repórter Marcia Avanza com Jacqueline Scholz, do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da FM-USP:

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Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Nesta segunda-feira (29/8), comemora-se, no Brasil, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, uma data instituída em 1986 pela lei nº 7.488, criada com o objetivo de conscientizar e mobilizar a população sobre os riscos decorrentes do uso do cigarro. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável no planeta e um problema de saúde pública. Estima-se que cerca de 200 mil pessoas morram todo o ano no Brasil em decorrência do fumo. E não é difícil verificar por que isso acontece.

A fumaça do cigarro contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, algumas delas com potencial para se tornarem cancerígenas. O cigarro é grandemente responsável por casos de câncer não só de pulmão, mas também de neoplasias da boca, laringe, esôfago, estômago e até dos aparelhos urinário e reprodutivo. A informação é  Jacqueline Scholz, coordenadora da área de cardiologia do programa de tratamento do tabagismo do Instituto do Coração (Incor) e uma das maiores especialistas nessa área, que foi entrevistada pela repórter Marcia Avanza.

Ela lembra que o cigarro também causa estragos no sistema cardiovascular, levando muitas vezes ao infarto do miocárdio pessoas relativamente jovens (na casa dos 40 ou 50 anos), sem esquecer de mencionar uma série de doenças respiratórias que também devem ser creditadas ao tabaco. O grande problema de boa parte dessas doenças, de acordo com a dra. Jacqueline, é que elas costumam aparecer  na vida do paciente em um período de 20 a 40 anos após o início da aquisição do hábito de fumar. A falsa impressão de segurança é interrompida depois dos 50 anos ou mais,  quando as doenças costumam aparecer, e o paciente é obrigado a pagar – muitas vezes com a vida – a conta de sua dependência.

Jacqueline admite que não é fácil parar de fumar, mas reforça a tese de que o tabagismo é uma doença, e como tal deve ser tratada. De acordo com ela, há hoje tratamentos eficazes para combater o mal do fumo, uma área da medicina que evoluiu muito de uns anos para cá. Basta ter força de vontade e disposição para deixar de fumar.

É importante, na opinião dela, que a população como um todo passe a olhar o fumante como um dependente, e que este, por sua vez, deixe o preconceito de lado e procure um tratamento que o livre dos efeitos nocivos do tabaco. Ela vê motivo para otimismo no fato de que, graças à lei antifumo, um número crescente de jovens tem procurado tratamento para se livrar do vício.

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