Atentado em Barcelona recoloca Espanha na rota do terror

O atentado em Las Ramblas, no qual morreram 14 pessoas, foi reivindicado pelo Estado Islâmico

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Mais uma vez, a Europa volta a ser palco de atentados terroristas, desta vez em Barcelona, na Espanha, onde, na tarde desta quinta-feira (17), uma van atropelou vários pedestres em Las Ramblas, um local bastante frequentado por turistas. Quatorze pessoas morreram e cerca de cem ficaram feridas nesse atentado reivindicado pelo Estado Islâmico. A polícia prendeu quatro suspeitos desse primeiro ataque e conseguiu abortar um outro, que aconteceria na cidade litorânea de Cambrils (a 120 quilômetros de Barcelona) e que muito possivelmente está conectado com o atentado de Las Ramblas. Cinco suspeitos foram mortos nessa ação.

Foto: Reprodução / CSB / YouTube

O ataque em Barcelona pode surpreender, no sentido de que a Espanha não figura entre os polos de poder mais influentes e mesmo assim foi alvo de atentado. O professor Caio Gracco Dias, da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, observa, porém, que a Espanha foi um dos países que integraram  a coalização liderada pelos EUA contra o Iraque, em 2003. Além disso,  só retirou suas tropas daquele país após o atentado que deixou 191 mortos em uma estação ferroviária de Madri, em março de 2004. Não se pode esquecer, ainda, que a Espanha é membro da União Europeia.

Por outro lado, o professor Gracco Dias destaca que a estratégia do Estado Islâmico é a de gerar medo. Nesse sentido, atacar uma cidade fortemente turística, como Barcelona, cumpre o objetivo de levar o terror à população e de atingir indivíduos de outros países. Ele lembra ainda que, em relação às organizações terroristas surgidas nos últimos 20 anos, o Estado Islâmico possui uma diferença fundamental: o grupo almeja se fixar territorialmente, afirmando-se como um Estado.

As operações militares ocorridas, muito recentemente, nas regiões da Síria e do Iraque levaram a uma perda do território ocupado pelo EI. Subtraído de espaço, poder e recursos financeiros, o Estado Islâmico conserva, porém, sua capacidade de agir como uma organização terrorista descentralizada, com militantes e simpatizantes espalhados pelo globo. Consequentemente, persiste o risco de que possa praticar atentados em outros países, até porque – acredita o professor Gracco Dias – muitos dos integrantes da organização devem ter retornado a seus países de origem para retomar suas atividades clandestinas a mando da organização terrorista.

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