Acidentes de trânsito no Brasil, um problema de saúde pública

A Rádio USP entrevistou especialistas das áreas de medicina e do direito para analisar o quadro atual do trânsito brasileiro

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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                   Arte sobre fotos de Erasmo Salomão/Min. da Saúde e Cecília Bastos/USP Imagens  .

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De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,25 milhão de pessoas morrem, no mundo, por ano em acidentes de trânsito, e desse total metade das vítimas são pedestres, ciclistas e motociclistas.

Um dos objetivos da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030 é sobre segurança no trânsito, que prevê reduzir para a metade o número global de mortes e lesões causadas por acidentes de trânsito até 2020.

A Rádio USP entrevistou especialistas das áreas de medicina e do direito para analisar o quadro atual do trânsito brasileiro. 

 

Dirigir alcoolizado é a segunda maior causa de morte no trânsito

12/03/2018
O trânsito brasileiro é o quarto mais violento do continente americano, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Dentro do País, São Paulo é o Estado com maior número de óbitos no trânsito e dirigir alcoolizado é a segunda maior causa. Pensando em diminuir o número de acidentes, foi publicada no ano passado a Lei Ordinária 13.546, do Código de Trânsito Brasileiro, que aumenta a punição para o motorista que causar morte dirigindo alcoolizado. Ou seja, a pena, que antes era de 2 a 4 anos de detenção, passa para 5 a 8 anos de reclusão.

O professor Ricardo Abrantes do Amaral, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, fala sobre as razões de as pessoas continuarem bebendo e dirigindo, mesmo sabendo de todos os riscos e consequências: é apenas imaturidade ou as campanhas de conscientização não cumprem as suas funções? Também conversa sobre o assunto a professora Maria Abigail de Souza, do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP. Ela acredita que dirigir alcoolizado é um problema cultural da nossa sociedade.

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Foto: Erasmo Salomão / Ministério da Saúde via Flickr – CC

A impunidade no trânsito e as diferentes interpretações da lei

09/03/2018
Um motorista dirigindo a 80 km/h, em uma pista em que o máximo permitido é 70 km/h, envolve-se em um acidente que causa a morte de outro condutor. Nessa situação, você diria que houve intenção de matar? Provavelmente não. Porém, e se adicionarmos a essa história hipotética algumas informações, como o fato de o motorista estar embriagado e na contramão? E então, o risco em que ele colocou o outro condutor é passível de ser admitido como intenção de matar?

Discussões semelhantes permeiam o Direito, principalmente na hora de explicar as causas da impunidade em acidentes de trânsito no País. Um levantamento feito entre janeiro e maio de 2017 concluiu que apenas uma pessoa é presa a cada 22 mortes ocorridas em acidentes de trânsito, no Estado de São Paulo. Alamiro Velludo Salvador Netto, professor titular do Departamento de Direito Penal, Medicina Legal e Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, conta que um dos principais fatores que ocasionam a impunidade é a dificuldade de classificar o homicídio como doloso, com intenção de matar, ou culposo, sem intenção de matar. Além disso, o professor explica outros mecanismos legais que podem levar a essa impunidade.

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Foto: Erasmo Salomão / Ministério da Saúde via Flickr – CC

Acidente grave de trânsito é questão de saúde pública

07/03/2018
Os acidentes de trânsito se configuram como grave problema de saúde pública no País. Essas emergências têm, porém, um aspecto particular: a maioria delas é evitável. A avaliação é de Júlia Maria D’Andrea Greve, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, que completa dizendo que esses atendimentos representam um “roubo” importante de recursos da área médica.

Hospitais como o HC devem manter uma equipe médica de plantão para o atendimento desses pacientes. Principalmente nos centros de referência, é elevado o número de vítimas que chegam com um quadro clínico de alta complexidade, conta a médica. Acidentes com motos e atropelamentos são os que costumam resultar em lesões de maior gravidade. Nessas situações, a manutenção da vida é a prioridade do atendimento.

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Faculdade de Medicina estuda perfil das vítimas de acidentes de trânsito

06/03/2018
Casos complexos de traumatismo são comuns no Hospital das Clínicas (HC). O estado em que chegam as vítimas está relacionado à gravidade dos acidentes de trânsito. A professora Vilma Leyton, do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina (FM) da USP e do Laboratório de Imuno-hematologia e Hematologia Forense do Hospital das Clínicas, falou sobre a pesquisa realizada para entender por que esses acidentes acontecem.

O projeto, realizado pelo Grupo de Pesquisa sobre Álcool, Drogas e Violência da Faculdade de Medicina, constatou que, dos acidentes de trânsito, 50% são com motociclistas. Os dados também apontam que a ingestão de álcool em níveis altos é muito comum. Outra pesquisa, realizada em conjunto com a Universidade Federal do Alagoas (Ufal), identificou que o perfil dos acidentados é diferente do observado em São Paulo, são menores que pilotam motos sem equipamento de proteção.

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Uso da maconha também é perigoso no trânsito

20/02/2018 – Coluna de João Paulo Lotufo

“Se beber, não dirija, se usar maconha, não dirija também,” diz João Paulo Lotufo, médico e colunista da Rádio USP.

Em sua coluna semanal, o médico fala sobre um estudo feito no Hospital Saint Paul, no Canadá. A pesquisa, realizada durante muitos anos, mostra o aumento de acidentes automobilísticos nos Estados Unidos em um período “famoso” por ser o horário de maior consumo de maconha.

“O THC diminuiu o tempo de reação do motorista. Um dos principais princípios ativos da cannabis e um dos responsáveis pelas alterações de percepção após o consumo da planta”, esclarece João Paulo Lotufo.

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Colunista elogia lei que aumenta punição para quem mata no trânsito

11/12/2017 – Coluna de Paulo Saldiva

O Congresso aprovou, recentemente, projeto de lei que aumenta a pena para motoristas que assumem o risco de matar ao dirigirem embriagados. Agora, eles podem  pegar de 5 a 8 anos de reclusão, enquanto a lei anterior previa de 2 a 4 anos de detenção para os infratores, além da suspensão da carteira de habilitação.

O colunista Paulo Saldiva aplaude a alteração na lei, a qual, segundo ele, vai fazer com que as pessoas pensem duas vezes antes de assumir o volante sob o efeito da ingestão de álcool, embora admita que não se altere comportamentos por meio do Código Penal. No entanto, a partir do momento em que os infratores começarem a ser punidos com um tempo maior de detenção, a tendência é de que os motoristas se tornem mais prudentes.

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Atendimentos por acidentes de trânsito crescem em hospitais

18/09/2017 – Coluna de Paulo Saldiva

Na coluna Saúde e Meio Ambiente desta semana o professor Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, volta a comentar sobre os acidentes de trânsito.

Dados da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura da cidade de São Paulo mostram que o número de pessoas atendidas por acidentes de trânsito em prontos-socorros municipais aumentou 18,9%, no primeiro semestre de 2017, em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre janeiro e julho deste ano, 6.118 pessoas ficaram feridas em acidentes no trânsito — contra 5.146 no primeiro semestre de 2016.

Saldiva cita o caso ocorrido no último dia 11, em que o motorista Mateus de Jesus Souza, 19 anos, atropelou e matou quatro pessoas na Rodovia Geraldo Scavone, em São José dos Campos. As vítimas atendiam um motociclista envolvido em um outro acidente de trânsito na mesma rodovia. O jovem foi preso no mesmo dia pela Polícia Militar e será indiciado por homicídio com dolo eventual.

O professor criticou como “permitimos que pessoas com comportamento perigoso, que tenham dependência química, voltem a dirigir”, referindo-se à suspeita de que Souza estava embriagado no momento do atropelamento. Ele também reforçou a importância de se “criar as condições políticas” para que a operação Lei Seca volte — bem como a fiscalização de velocidade — e defende o aumento do valor das multas por direção imprudente.

 

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