Calama, saúde à vista? Quando?

Roosevelt da Silva Bastos, Magali de Souza Caldana, José Roberto de Magalhães Bastos e Cristina Espírito Santo – FOB-USP

Por - Editorias: Artigos
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Roosevelt da Silva Bastos é professor de Saúde Coletiva e atua em epidemiologia e políticas de saúde, com especial interesse em saúde bucal relacionada à qualidade de vida (FOB-USP) – Foto: Denise Guimarães/USP Imagens
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Magali de Lourdes Caldana é vice- chefe do Departamento de Fonoaudiologia da FOB-USP e coordenadora do projeto FOB-USP em Rondônia – Foto: Denise Guimarães/USP Imagens
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José Roberto de Magalhães Bastos é vice-presidente e presidente da Comissão de Pesquisa da FOB-USP (1993-2002) e coordenador do projeto FOB-USP em Rondônia (2002 a 2006) – Foto: Denise Guimarães/USP Imagens
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Cristina Espírito Santo é pós-graduanda pela FOB-USP de Bauru – Foto: Denise Guimarães/USP Imagens
Acomunidade ribeirinha de Calama, distrito de Porto Velho, no Estado de Rondônia, localizada bem na fronteira com o Estado do Amazonas, às margens do rio Madeira, Amazônia brasileira, com aproximadamente 3 mil habitantes, foi sacudida nesta Semana da Pátria (2016) pelo Projeto FOB-USP em Rondônia, pelo quarto ano consecutivo. Braço forte da USP, através da FOB, um projeto de extensão bem planejado e executado.

A atenção à saúde foi efetivada em ações de prevenção de doenças, promoção, proteção e recuperação da saúde pela assistência realizada nas áreas de fonoaudiologia e odontologia. A grande procura da população foi pelo atendimento clínico, compreendido facilmente, na ausência de atenção nestas áreas, ao longo de todo ano, acumulando as agruras em saúde da população.

Essa procura se faz principalmente por causa da sensação de dor, provocando assim muitas extrações, com forte indicação clínica, em dentes decíduos e permanentes, incluindo crianças de tenra idade.

Esta condição indesejável de saúde não pode ser compreendida somente pelas dificuldades, por exemplo, na execução de uma técnica apurada quanto à escovação dentária, pois ainda há muitas famílias com necessidades básicas, como, por exemplo, a própria manutenção da escova e pasta de dente para que cada membro de seu núcleo familiar mantenha este hábito. Não se pode culpar as vítimas!!!

Toda oportunidade em uma comunidade distante como essa deve ser aproveitada para o combate às iniquidades representadas pela expressiva falta de acesso à saúde, entre outras necessidades.

Esta condição indesejável de saúde não pode ser compreendida somente pelas dificuldades, por exemplo, na execução de uma técnica apurada quanto à escovação dentária, pois ainda há muitas famílias com necessidades básicas, como, por exemplo, a própria manutenção da escova e pasta de dente para que cada membro de seu núcleo familiar mantenha este hábito. Não se pode culpar as vítimas!!!

No Distrito de Calama é possível realizar o atendimento numa unidade de saúde em condições razoáveis de trabalho, em um ambiente que é fruto das lutas cotidianas da comunidade para melhorar o acesso da população, mas ainda assim os recursos humanos desejáveis não são rotina,levando, por exemplo, as gestantes da comunidade a viajarem de barco por horas para terem acompanhamento pré-natal, assim como um parto humanizado em ambiente hospitalar, ao atendimento de urgência e emergência, ou mesmo a uma consulta de rotina, mesmo assim, em todos esses casos, quando há condições pessoais ou familiares para o pagamento do transporte particular.

Em odontologia, apesar de um consultório montado na unidade de saúde, não há recursos humanos para atenção básica em saúde bucal. As demandas se acumulam para além do atendimento clínico, com grande necessidade de atividades de educação em saúde e de prevenção de doenças bucais, principalmente relacionadas com a cárie dentária.

Essa procura se faz principalmente por causa da sensação de dor, provocando assim muitas extrações, com forte indicação clínica, em dentes decíduos e permanentes, incluindo crianças de tenra idade.

Outros tipos de atenção nem são cogitados. Há grande interesse, por parte do Projeto FOB-USP em Rondônia, pelas atividades clínicas que recuperam a saúde bucal associada à manutenção dos dentes, mas infelizmente ainda não é possível em muitos casos.

Assim, atividades de educação em saúde bucal têm sido realizadas com a população que procura o atendimento clínico, mas estas ações educativas têm sido principalmente realizadas com a população infantil em ambiente escolar.

No Distrito de Calama é possível realizar o atendimento numa Unidade de Saúde em condições razoáveis de trabalho, em um ambiente que é fruto das lutas cotidianas da comunidade para melhorar o acesso da população, mas ainda assim os recursos humanos desejáveis não são rotina, levando, por exemplo, as gestantes da comunidade a viajarem de barco por horas para terem acompanhamento pré-natal, assim como um parto humanizado em ambiente hospitalar, ao atendimento de urgência e emergência, ou mesmo a uma consulta de rotina, mesmo assim, em todos esses casos, quando há condições pessoais ou familiares para o pagamento do transporte particular.

Neste ano de 2016, o biofilme dentário (placa bacteriana) foi o tema central das atividades educativas, pois é fundamental que os alunos, e também seus professores, entendam desde cedo que é necessário controlar o biofilme dentário através da escovação com dentifrícios fluoretados de maneira frequente.

Ainda há necessidade da obtenção da colaboração dos pais diretamente, pois esta tem sido alcançada somente de forma indireta, através das informações que, espera-se, as crianças estejam levando para suas residências.

O hábito de escovar os dentes deve estar associado ao uso inteligente do açúcar, provocando o declínio da prevalência de cárie tão almejado, mesmo na ausência de um método de prevenção em massa, como a fluoretação de águas de abastecimento público.

Calama localiza-se no Norte do Brasil, região que tem liderado negativamente a prevalência de cárie no País, segundo os últimos levantamentos epidemiológicos nacionais. Deve ser registrada aqui a ausência de médico, cirurgião dentista, enfermeiro, fonoaudiólogo ou qualquer outro profissional de saúde na localidade, somente alcançada através do rio Madeira.

Sabemos que a atenção à saúde deve ser desenvolvida com ações intersetoriais e, na medida das possibilidades, tem-se investido na integração entre a nossa equipe de trabalho, a qual tem forte apoio institucional da Universidade de São Paulo, com as lideranças locais, tornando o acesso mais adequado e respeitoso quanto às particularidades sociais, econômicas e culturais para intervenção nos equipamentos sociais disponíveis, notadamente na unidade de saúde bem como nos ambientes escolares. Espera-se assim que o trabalho desenvolvido pelo Projeto FOB-USP em Rondônia contribua adequadamente com a comunidade de Calama no momento atual e para o futuro.

 

 

 

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